sábado, 22 de novembro de 2008

A Economia Brasileira na década de 80 : consequências da crise da dívida

A interrupção na década de oitenta, de uma longa história de crescimento que
caracterizava o Brasil, é resultado de um amplo conjunto de causas entre as
quais, o peso insustentável da dívida externa, o imobilismo gerado por uma
excessiva protecção à indústria nacional, o fracasso dos programas de
estabilização no combate à inflação e o esgotamento de um modelo de
desenvolvimento, baseado fundamentalmente na intervenção generalizada do
Estado na economia, esgotamento esse assente na crise do Estado brasileiro
que diminuiu sensivelmente a sua capacidade de investimento, retirando-lhe o
grande papel de principal promotor do desenvolvimento.
No entanto, é no seu aspecto financeiro que a crise se torna mais aguda,
levando a economia a uma espiral inflacionária, que provocou uma queda nos
níveis de poupança do sector público, criando um ambiente de incertezas que
dificultou a retomada dos investimentos e continua a provocar o alargamento
dos desníveis sociais, com consequências imprevisíveis no futuro.
A partir de 1979, o padrão de crescimento baseado no financiamento externo
ou estatal, através do investimento directo do Estado ou do investimento
privado subsidiado, que tinha prevalecido durante a década de 70, entrou em
crise, quando o fluxo de financiamento externo líquido cessou em 1982.
Assim é que, em razão da crise nacional que se segue, emerge uma questão
política básica, que é a de que nos anos oitenta, o Brasil perdeu o controlo do
seu destino. Três factores contribuíram decisivamente para isso, frustrando os
intentos de colocar o país na trajectória do progresso e da modernidade: a
dívida externa, as elevadas taxas de inflação e uma profunda crise do Estado.
Embora variem os graus de relevância destes três factores, eles estiveram
sempre presentes na conjuntura da crise.
Este trabalho procura assim, analisar as causas que provocaram a profunda
crise brasileira da década de oitenta, crise que aliás se estenderia a
praticamente toda a América Latina, naquela que é considerada pelos latinoamericanos
como a “década perdida”, bem como as consequências das
sucessivas medidas económicas e planos de estabilização tentados pelos
sucessivos governos, na tentativa vã de retornar a níveis de crescimento e de
controlo inflacionário que permitissem a recuperação económica do país.

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